Rastros do pó nos pés, o espelhar do revés, já havia andado muito, mesmo ainda estando ali, intacta, viajando internamente, impactada, por não encontrar-se deprimente. Quem a olhava não imaginava o quão duro foi permanecer viva, fortaleceu-se em sensibilidade, distinguiu a diferença entre as dores, única em meio a bilhares, diluiu de si os rancores, eles não a deixariam andar, seriam só mais um peso, e na busca do seu libertar seriam pedra de tropeço. A cada passo um corte, era o amputar das feridas, há quem estivesse em seu lugar preferindo a morte, mas ela sim lutava por sua vida. Quase um axioma, matar-se para viver,  a interpretação é uma ponte, que liga a sabedoria àquele que quer vencer, fazendo-o trocar de ser, assim como as rastejantes lagartas, a metamorfose nos faz nascer, nova alçada onde desatrofiamos nossas asas. As marcas da vida cicatrizam onde as águas do amor gotejam, renovando em marcas infindas, ampliando o seu vilarejo. Antes, a areia marcada, onde o sal não as apagavam, agora marcas revigoradas, linhas que contam sua história entrelaçadas, e dá prosseguimento por toda a eternidade, entre marcas que esvanecem pelo tempo e outras que tornam-se sua representatividade. Estas são as marcas da verdadeira vida, que nunca se acabarão, sua história emergida ao transbordar da borboleta coração. Voe!

Por Patrícia Campos

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