Uma dádiva da alma, característica do bem, o que reflete por nossas janelas é o que cada interno retém. Mesmo com a infância conturbada, os olhos sempre foram serenos, anunciando a brisa leve da vida, seus campos floridos e amenos. Analisando minha trajetória desde que nasci neste mundo, muitos ventos tempestuosos, rodearam o meu profundo, mas algo dentro de mim sempre me deu a sensação de que o ciclo é mesmo assim, e devemos passar por cada estação. Calor árduo do deserto, dias quentes de verão, mas as chuvas repentinas refrescaram meu coração. O outono levou consigo tudo que devo desapegar, período de transição que a alma deve enfrentar.

O inverno esfria o peito e o ar frio corta a nossa face, mantenha-se quietinha, não saia ao relento, pois logo-logo ele passa. Então chega a primavera e floresce o nosso jardim, a consciência sábia se tece, liberdade e paz que não tem fim. Não sejamos inconstantes, volúveis e cheios de pavor, a porção da vida sempre nos ensina a provar o verdadeiro amor. Sentimento da compreensão ao extremo, nos leva a tudo suportar, deixa nosso olhar sereno e faz a alma levitar. Mesmo em meio as borrascas, os pés são firmes no chão, vereda iluminada, raios de sol da razão. O sentimento é inexplicável, palavras são apenas sementes, como retratar o indecifrável para o coração de quem não sente? Está além do olhar, o nosso eu verdadeiro, querendo se manifestar e fazer nosso imo guerreiro.

Por Michele Mi 
Tema: José Carlos – Santa Fé/PR

Participe você também dos poemas! Faça sua sugestão enviando um tema. Ele será veiculado aqui e no site www.razaodavida.com acesse!

Comentários Facebook

Deixe uma resposta