Atividade é considerada uma das formas mais sustentáveis de produzir alimento e colabora para economia de populações locais
Atividade é considerada uma das formas mais sustentáveis de produzir alimento e colabora para economia de populações locais

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Pesca (IP-APTA), realiza há mais de 40 anos pesquisas com o intuito de fomentar o cultivo de espécies marinhas de moluscos bivalves em território paulista e brasileiro. A atividade tem grande potencial de crescimento no Estado de São Paulo, responsável atualmente por cerca de 3% da produção nacional.

Divulgação/SAA
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Dentre os organismos cultivados no mar (maricultura) os moluscos são os mais produzidos no mundo. “A produção de moluscos no mundo é maior do que a de peixes ou camarões marinhos, por exemplo. É um produto bastante cultivado no mundo inteiro”, diz o pesquisador do Instituto, Hélcio de Almeida Marques, citando Ásia, Europa e EUA como regiões que se destacam no cultivo destes animais para alimentação. Marques coordena pesquisas sobre o tema no Instituto.

Segundo o pesquisador, no entanto, a atividade ainda é pouco explorada no país. “No Brasil, temos o cultivo concentrado em três espécies: os mexilhões (também conhecidos como mariscos das pedras); as ostras; e, mais recentemente, as vieiras”, explica.

De acordo com Marques, os mexilhões são destaque, com cerca de 16 mil toneladas anuais produzidas, seguidos pelas ostras e vieiras, com uma produção bem menos expressiva. Santa Catarina concentra em torno de 95% do volume total, seguido por São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, além de outros Estados produtores.

Papel do Instituto da Pesca

Os números atuais de produção de moluscos só se tornaram possíveis graças aos esforços pioneiros do Instituto da Pesca, na avaliação do pesquisador. O Instituto foi um dos primeiros a pesquisar, a partir da década de 1970, maneiras de se cultivar em escala comercial estes animais em nossas águas.

Divulgação/SAA
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“Nós desenvolvemos praticamente toda a tecnologia de produção hoje existente”, afirma Marques. “Começamos com esta tecnologia em Ubatuba (litoral norte do Estado) adaptando técnicas que já existiam em outros países para a realidade brasileira, e no começo da década de 80 já havia produtores utilizando-a comercialmente”, continua.

Com relação às vieiras, por exemplo, Marques e sua equipe usaram a tecnologia para vencer uma espécie de tabu que havia no ramo. “Até os anos 2000, se dizia que a vieira só podia ser cultivada em grandes profundidades, abaixo de 10 m. Por isso, só era feito próximo a ilhas ou locais afastados da costa, o que limitava muito o acesso dos produtores a esse cultivo”, narra o pesquisador do IP.

“Nós fizemos, pela primeira vez, cultivo de vieiras à baixa profundidade (5 m) e conseguimos quebrar este tabu, mostrando que o cultivo era, sim, possível em profundidades menores, e com um desempenho muito bom. Foi uma grande inovação”, comemora. Hoje, afirma, grande parte da produção de vieiras no Brasil é feita em baixa profundidade.

Perspectivas

Marques afirma que o Estado de São Paulo tem potencial para aumentar significativamente a produção de moluscos. A afirmação é com base em estudos coordenados por ele que identificaram cerca de 160 hectares de áreas marítimas consideradas propícias para receber fazendas de cultivo de moluscos, principalmente no litoral norte do Estado.

Essas áreas se referem apenas ao chamado cultivo in shore (próximo à costa), a profundidades de até 20 m. “Só nessa região, com uma produção de 40 toneladas de mexilhões/ha, teríamos 6400 toneladas. Temos potencial, no Estado de SP, de sair da posição de 2-3% do total da produção brasileira para 40%”, assegura o pesquisador do Instituto.

Para alcançar esses números, Marques explica que ainda é necessário tratar de temas complexos, como legalização (já que o cultivo é feito em águas públicas) e questões sanitárias. “Hoje está sendo exigido que os produtores tenham um plano de monitoramento da qualidade da água onde se cultivam os moluscos para se certificar de que esta está livre de contaminação química e biológica. Esse monitoramento, no entanto, não é algo muito simples, nem barato”, diz.

Marques explica que está se buscando implantar no Brasil o Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Moluscos Bivalves (PNCMB/MAPA), que visa o enfrentamento da questão com foco na plena profissionalização da atividade. “Isso é essencial para a atividade poder crescer”, finaliza.

Fonte: SP Notícias

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