Cena do longa ‘Todos os Mortos’, que concorre neste ano ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Berlim - Divulgação/Vitrine Films
Cena do longa ‘Todos os Mortos’, que concorre neste ano ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Berlim - Divulgação/Vitrine Films

O longa-metragem “Todos os Mortos”, produzido por ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), é um dos concorrentes ao Urso de Ouro de Melhor Filme, do Festival de Cinema de Berlim, que começa nesta quinta-feira (20) e segue até 1º de março.

Trata-se de uma das principais premiações da indústria cinematográfica. Vale destacar que o Brasil já ganhou o Urso de Ouro de Melhor Filme duas vezes: a primeira foi em 1998, com “Central do Brasil”; na segunda, “Tropa de Elite” venceu a disputa em 2008.

O filme será apresentado no Festival de Cinema de Berlim no domingo (23), mas ainda não tem data de estreia no Brasil. Marco Dutra, Caetano Gotardo e Juliana Rojas, os produtores de “Todos os Mortos”, são da turma de 1999, formados em Cinema pela ECA.

“A gente se conheceu na faculdade, há mais de 20 anos. Fazíamos trabalhos juntos e essa amizade acabou se desenvolvendo com o nosso repertório cinematográfico”, explica Juliana Rojas ao Jornal da USP. Eles já participaram de outras colaborações, como “O Lençol Branco”, que Juliana e Marco Dutra, com assistência de Caetano Gotardo, apresentaram como Trabalho de Conclusão de Curso e que foi selecionado para o Festival de Cannes, na seção Cinéfondation, destinada a filmes universitários, em 2006.

Enredo

“Todos os Mortos” se passa em 1899, onze anos após a abolição da escravatura no Brasil, e conta a história de Iná Nascimento, mulher que viveu a escravidão por muito tempo e batalha para cuidar de familiares em um mundo ainda muito hostil.

“Uma mudança grande parecia se impor naquele momento, mas a gente percebe que as questões raciais e os abismos sociais continuam como base da sociedade brasileira até hoje”, afirma ao Jornal da USP o diretor Caetano Gotardo, que espera que o longa possa servir como mais uma peça dentro de um debate muito maior sobre a estrutura social brasileira.

Ainda segundo o diretor, a ideia do filme surgiu em 2012, porém até o roteiro estar completo foi um longo e dinâmico processo de escrita entre os dois diretores. Para Caetano Gotardo, a amizade e cumplicidade deles foi fundamental tanto nesse momento como depois, durante as filmagens. “Quanto à direção, nós fizemos absolutamente tudo juntos. Nós nos entendemos muito bem e rápido. Então, deu tudo certo”, completa.

Produção

Caetano Gotardo faz questão de ressaltar a importância das produtoras Sara Silveira e Maria Ionesco, da Dezenove Som e Imagens, que, além do trabalho realizado no filme, também foram responsáveis pelos primeiros longas dos ex-alunos.

“São figuras insistentes e batalhadoras do cinema brasileiro. Elas estão sempre apostando em novos diretores, e isso é muito importante para a manutenção do cinema nacional”, afirma.

Além de “Todos os Mortos”, outros 19 filmes brasileiros estarão no Festival de Berlim, incluindo coproduções com outros países. “Considerando o momento cultural que o Brasil vive, é importante destacar essa comunidade criativa, muito ativa e reconhecida internacionalmente”, diz Marco Dutra.

De acordo com ele, a quantidade de filmes em um festival como o de Berlim mostra a força do cinema nacional. Os três ex-alunos da ECA estão alinhados quanto às expectativas para o evento, que também será a primeira exibição pública do filme. “Só de saber que o filme foi acolhido pelos organizadores do festival já é ótimo, mas estamos animados para ver a reação do público também”, revela Marco Dutra.

Fonte: SP Notícias

Comentários Facebook

Deixe uma resposta