Imagem microscópica do novo coronavírus 2019 n-CoV - Foto: NIAID-RML/AP
Imagem microscópica do novo coronavírus 2019 n-CoV - Foto: NIAID-RML/AP

Uma análise dos dados oficiais da China divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (17) mostra que a maioria dos casos confirmados de coronavírus é leve (80,9%), sem pneumonia ou com pneumonia branda. Todos os pacientes que morreram desenvolveram a versão mais grave da Covid-19, doença causada pelo vírus, que atingiu menos de 5% dos infectados.

O estudo confirma os indícios apresentados por outros cientistas: a maior taxa de mortalidade (14,8% dos infectados) está entre as pessoas com mais de 80 anos. Pacientes com outras doenças, principalmente as cardiovasculares, também têm uma chance maior de ter a versão crítica da Covid-19.

Classificação:

  • Casos leves: sem pneumonia ou pneumonia branda – sem mortes e 80,9% dos registros
  • Casos severos: falta de ar, mudança na frequência respiratória, saturação de oxigênio no sangue, infiltração pulmonar, síndrome respiratória aguda – sem mortes e 13,8% dos registros
  • Casos críticos: insuficiência respiratória, choque séptico, falência múltipla dos órgãos – 1.023 mortes (100%) e 4,7% das infecções.
Classificação de gravidade da epidemia de coronavírus na China - Foto: G1
Classificação de gravidade da epidemia de coronavírus na China – Foto: G1

Foram coletadas as informações da epidemia na China até 11 de fevereiro, incluindo os casos confirmados naquele dia. A taxa geral de mortalidade se firmou como 2,3%, mas, além dos idosos com mais de 80 anos, pacientes com outras doenças têm uma probabilidade maior de desenvolver a versão mais crítica. Veja na arte abaixo:

Mortalidade do 2019 n-CoV junto a outras doenças - Foto: Cido Gonçalves/G1
Mortalidade do 2019 n-CoV junto a outras doenças – Foto: Cido Gonçalves/G1

Entre os infectados pelo 2019 n-CoV, 51,4% eram homens, que têm uma taxa de mortalidade maior do que a média, calculada em 2,8%. Já no caso das mulheres, o índice está abaixo: 1,7% não resistiram ao vírus. Fazendeiros e trabalhadores foram os profissionais mais afetados (22%). A maioria entre os 44 mil casos confirmados (85,8%) relatou exposição ao vírus na cidade de Wuhan, onde o primeiro caso foi detectado.

A taxa de mortalidade do coronavírus é menor que a de outros vírus da mesma família, como Sars e Mers. Ela está também abaixo de outras síndromes respiratórias, como o vírus Influenza no Brasil. No caso do H1N1, no ano passado, a média de idade era de 55 anos, e 72% apresentavam algum fator de risco, como outras doenças prévias.

Evolução da transmissão dos casos de coronavírus - Foto: Carolina Dantas/G1
Evolução da transmissão dos casos de coronavírus – Foto: Carolina Dantas/G1

Análise da propagação

Os cientistas chineses dizem que a epidemia é “mista”, com duas fases de disseminação – uma transmissão contínua no final de 2019 e uma propagação maior em 2020. Em dezembro, apenas 22 casos passaram a apresentar sintomas. O pico ocorreu em 1º de fevereiro e, desde então, a doença tem apresentado uma redução nas mortes.

“Esta tendência mista do tempo de surto é consistente com a teoria de que vários eventos tenham ocorrido no Mercado de Frutos do Mar em Wuhan, e que eles tenham permitido que o 2019 n-CoV fosse transmitido de um animal ainda desconhecido para os seres humanos e, devido às altas taxas de mutação e recombinação, ele se adaptou para se tornar capaz, em seguida, de uma transmissão eficiente entre humanos”, analisam os pesquisadores.

Disseminação do coronavírus na China - Foto: Wagner Magalhães/G1
Disseminação do coronavírus na China – Foto: Wagner Magalhães/G1

No dia 13 de fevereiro, data posterior ao período de dados analisado pelo estudo, o governo chinês mudou a metodologia de identificação de casos confirmados. Com isso, o número passou de 44,5 mil para 59,8 mil, um aumento de 33,87% nos infectados pela doença. Este deverá ser o segundo pico da doença, influenciado por esta nova definição.

Fonte: G1

Comentários Facebook

Deixe uma resposta